Encontramos na Constituição Lumen Gentium a definição das vocações Cristãs: a Sacerdotal (Sagrada Ordem), o Religioso e os Leigos. As três possuem o mesmo valor de dignidade e importância, pois o chamado vem do próprio Deus, e para a realização e cumprimento deste chamado, cada uma com sua importância, missão e especificidade, contribuindo uma com a outra.
As vocações Sacerdotal e Religiosa tem clara sua formação, missão e atividade na Igreja e no mundo, já a dos leigos e leigas por ser um campo vasto e a definição de atuação dentro e fora da igreja, por vezes atrapalha a consciência da missão e da importância para a construção do Reino de Deus.
Como todo Chamado é preciso dar uma resposta a Deus, é fundamental o encontro com o Cristo, Seu seguimento e o conhecimento dos documentos e magistério da Igreja.
No documento 105 há uma parte muito bonita chamada o “Rosto do Laicato” (Doc 105, 55-62). Nela, os bispos afirmam que todos os batizados que escolheram Jesus como seu Senhor, sem distinção, são leigos e leigas que participam do sacerdócio de Cristo na Igreja e no mundo, de diferentes modos, como um direito e como uma consequência natural dos sacramentos da iniciação cristã (batismo, eucaristia e crisma).
Assim, as crianças, os jovens, os casais que escolhem a vida matrimonial, as mulheres, os homens, os idosos, os viuvos e viuvas, todos são leigos e leigas. Todas as pessoas que, se foram batizadas e buscam fazer o bem por causa de Jesus, são testemunhas do seu Reino. O Evangelho diz que todo aquele que der um copo de água por causa do nome de Jesus a alguém necessitado, será lembrado por Ele (Mt 10,42).
Vemos, então, que ser cristão, discípulo/discípula ou leigo e leiga, implica em uma atitude de quem segue e anuncia a Cristo por meio de ações e palavras, dando testemunho de Jesus, estejam onde estiverem, tendo a consciência de que tudo o que fazem por causa de sua fé em Cristo, é obra evangelizadora. Da mesma forma, são leigos e leigas, aqueles que se sentem chamados a viver a sua vocação como agentes de pastoral, assumindo algum serviço ou ministério na Igreja! Portanto, para agir, o leigo e a leiga não precisam de mandato de ninguém, pois Jesus já deu a ordem: Ide pelo mundo e pregai o Evangelho! (Mc 16, 15). A missão primeira dos leigos e leigas que aceitaram este chamado de Deus e, alimentados pelo próprio Cristo, ser a Igreja na sociedade, na família, no trabalho, praticando a justiça, promovendo a paz, mostrar o rosto amoroso de Deus, amar o irmão. Na Palavra de Deus encontramos, na 1ª carta de São João este caminho para seguirmos, Deus é a Luz, Jesus Cristo o caminho, a justiça e o amor ao próximo, Deus é amor. É esta a missão do leigo na sociedade, não é fácil praticar esta missão em uma sociedade complexa e individualista, portanto o leigo deve alimentar-se constantemente na Palavra de Deus e no Pão, na instrução da Igreja e no apoio e acompanhamento dos sacerdotes e religiosos.
